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França a ferro e fogo. Mais de 270 detidos em confrontos entre a polícia e manifestantes
Confrontos entre a polícia e manifestantes eclodiram em cidades de toda a França este sábado, com registo de vários incidentes e pilhagens. O primeiro-ministro francês afirmou hoje que o país não se deixará "intimidar" pela violência.
Estes são os protestos mais violentos do país dos últimos anos desde o movimento dos "Coletes Amarelos", em 2018. Segundo o sindicato francês CGT, "mais de 500 mil pessoas" participaram nas ações de protesto de hoje.
"O Governo deve pôr fim à repressão e responder imediatamente às reivindicações sociais", afirmou o sindicato, que saudou "mais um grande dia de mobilização" com "1.750 protestos e manifestações em toda a França".
De acordo com o Ministério francês do Interior, pelo menos 272 pessoas tinham sido detidas até meio da tarde. Registaram-se incidentes em vários cidades como Paris, Marselha ou Lille.
"Estas ações incluem tentativas de pilhagens, confrontos com as forças da autoridade, incêndios em mobiliário urbano e ataques a centros de poder e veículos de comunicação", referiu o comunicado do Governo, atribuindo os distúrbios à "extrema-esquerda".
Sébastien Lecornu, primeiro-ministro francês, adiantou este sábado que o país não se deixará "intimidar" pela violência.
"Para aqueles que claramente querem usar esta violência como um 'aquecimento' antes da eleição presidencial, digo claramente: não nos deixaremos intimidar. Ninguém conseguirá impor a sua agenda política pela violência", afirmou através de uma publicação na rede social X.
Durante a tarde de sábado, manifestantes forçaram a entrada na Câmara Municipal de Lille, no norte de França, tendo saqueado o edifício. Houve ainda registo de confrontos entre manifestantes e a polícia no centro da cidade.
Já ao final do dia, a residência da autarca de Bordéus foi saqueada durante os protestos. Foi mobilizada a RAID, uma unidade de elite da polícia nacional.
"Indivíduos invadiram e saquearam o local", disse um porta-voz da câmara municipal à agência France Presse. A presidente da câmara, Sophie Brocas, condenou "nos termos mais veementes possíveis" os danos causados à residência e os saques a estabelecimentos comerciais no centro da cidade.
Em Saint-Étienne, no centro de França, um manifestante perdeu a mão após o disparo de uma granada por parte da polícia, segundo adiantou a agência France Presse.
Em Lyon, no centro de França, os manifestantes incendiaram um posto de turismo.
Já ao início da tarde, dezenas de manifestantes tinham invadido a Câmara Municipal de Marselha, no sul. "Isto é a Revolução, vamos tomar a Bastilha", afirmaram aquando da invasão, numa referência aos eventos que marcaram o início da Revolução Francesa, em 1789.
Em Bordéus, cerca de sete mil manifestantes entraram em confrontos com as forças de segurança no centro da cidade.
(com agências)